Melhor Mobilidade Gaia é exemplo de sustentabilidade nos transportes públicos
Sérgio Monteiro, Secretário de Estado dos Transportes e Comunicações, defendeu a reestruturação do modelo de transportes públicos das áreas metropolitanas e reafirmou que o objectivo do Governo é desenvolver um conceito de mobilidade sustentável que nunca ponha em causa a mobilidade dos cidadãos e garanta uma acentuada redução de custos.
Durante uma intervenção no colóquio "A nova filosofia de transportes públicos no Grande Porto e grandes aglomerados urbanos", promovido pelo Município de Gaia, Sérgio Monteiro apontou a necessidade de "eliminar um conjunto de práticas, quer a nível da organização interna e externa das empresas, mas garantindo um serviço público para as décadas mais próximas".
O governante falou do trabalho de reformulação da rede de transportes nas áreas metropolitanas e apelou ao sentido de responsabilidade de todos. "Acredito muito que se fizermos o que nos propomos fazer, em diálogo nos grupos de trabalho que estão criados, conseguiremos ter um serviço público adequadamente estruturado, sem redundâncias, e que permita servir, adequadamente e a custo justo, a população. O trabalho que está a ser desenvolvido é desgovernamentalizado e não segue qualquer guião inicial", afirmou Sérgio Monteiro.
O governante aproveitou para sublinhar algumas medidas já tomadas, designadamente o "Passe Social +", tendo anunciado o alargamento desta resposta social a partir de Janeiro próximo: "O Governo vai terminar com a subsidiação transversal e ajudar apenas as pessoas que precisam".
Nos próximos anos, depois de se cortar nos custos supérfluos, o Governo tenciona afectar no Orçamento de Estado verbas suficientes para a expansão da rede de Metro no Porto e em Lisboa, mas também para a criação de vias estruturantes de ligação de Portugal à Espanha. A ligação Porto/Vigo foi um dos eixos estratégicos anunciados por Sérgio Monteiro, com financiamento do próximo Quadro Comunitário de Apoio 2014/20.
Durante o colóquio, que teve lugar no Auditório Municipal Sophia de Mello Breyner, Luís Filipe Menezes, Presidente da Câmara Municipal de Gaia, defendeu a aceleração do desenvolvimento económico e social do Porto como condição de progresso e sustentabilidade dos transportes públicos da respectiva Área Metropolitana (AMP): "Não vai haver qualidade de serviço público nem bom negócio legítimo por parte dos operadores neste sector se não houver mais economia, mais desenvolvimento económico e social no Porto. É preciso criar condições para promoção acelerada do desenvolvimento da AMP".
Luís Filipe Menezes defendeu a mudança de paradigma e de local de decisão na AMP, bem como uma nova organização da Autoridade Metropolitana de Transportes do Porto numa lógica de "ligação real e permanente às autarquias".
No que diz respeito à AMP, o Presidente da Câmara de Gaia considerou que há condições para pensar em soluções para a mobilidade e transportes públicos. A propósito, defendeu uma perspectiva "metrocêntrica" na reorganização e uma ponderação sobre as preocupações ambientais, à semelhança do que já acontece no concelho de Gaia, onde operam várias empresas ligadas à construção de veículos de transportes públicos amigos do ambiente.
"Temos que fazer muitas coisas, ao mesmo tempo, nos próximos anos", afirmou Luís Filipe Menezes, considerando que "não é realista pensar na expansão do Metro nos mesmos termos, em que se gastaram milhões e milhões de euros". O que está desenhado para o prolongamento da Linha Amarela, até Vila d'Este e Hospital Santos Silva, corresponde, segundo Luís Filipe Menezes, a largas dezenas de milhões de euros, mas pode ser substituída por uma estrada com corredor exclusivo para transporte público, ficando o investimento por apenas 6 a 7 milhões de euros.
Por seu turno, Nuno Cardoso, responsável pelo desenvolvimento do projecto Elena em Gaia, colocou a tónica da sua intervenção na situação de emergência que o País, enquanto oportunidade de se reestruturar o modelo de transportes públicos. Tal como Luís Filipe Menezes, Nuno Cardoso considerou que os próximos 50 anos serão marcados pela preponderância das cidades e grandes núcleos urbanos, pelo que o projecto Elena configura uma resposta crucial no quadro da eficiência, sustentabilidade e mobilidade.
Trata-se de um projecto que resulta de uma iniciativa conjunta da Comissão Europeia e do Banco Europeu de Investimento, no âmbito da eficiência energética e energias renováveis, num investimento global de 73 milhões de euros.
Vila Nova de Gaia foi a única cidade portuguesa a par de outras importantes cidades europeias, como Barcelona, seleccionada para o desenvolvimento deste projecto cujo objectivo final, no âmbito do pacto das autarquias assinado em 2000, consiste em reduzir em 20% as emissões de CO2, aumentar em 20% a eficiência energética e aumentar a incorporação de fontes renováveis. O projecto integra as componentes de iluminação pública, energia de edifícios e transportes públicos e fundamenta-se em duas linhas de actuação: redesenhar a rede de transportes públicos, melhorar a velocidade de operação e promover a intermodalidade; e introdução tecnológica mais eficiente na frota dos transportes públicos.
No que respeita aos modelos de concessão de novos serviços, Nuno Cardoso anunciou a rede de transportes na zona urbana do concelho, abrangendo as 10 freguesias da cidade; na área central da cidade, delimitada pela A1 e pelas avenidas da República e de D. João II; na cidade de Gaia, articuladas numa rede de interfaces/correspondências. Além disso, o projecto preconiza ainda a aplicação dos conceitos "Metro-Bus" e "Eco-Bus" como sistemas de transportes em autocarro.
O colóquio promovido pelo Município de Gaia contou, também, com a participação dos representantes da Antrop, da Antral, do Presidente da Autoridade Metropolitana de Transportes do Porto e de vários operadores privados da Área Metropolitana do Porto.
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